Tribo Monaloniini Reuter, 1892

Diagnose. Os espécimes apresentam corpo alongado, com comprimento superior a 5 mm, frequentemente excedendo os 8 mm (Fig. 1) Figura 1 . Na morfologia das pernas, o tarso exibe um ápice distintamente engrossado, e a estrutura das garras revela grandes pulvilos discais (Fig. 2) Figura 2 ; os parempódios apresentam-se setiformes e assimétricos, ou podem estar ausentes. No tórax, o espiráculo metatorácico não é circundado por microescultura, e o sistema de odor metatorácico (peritrema ostiolar) apresenta-se visivelmente modificado, exibindo uma abertura da glândula odorífera reduzida e a ausência de uma área evaporatória desenvolvida (Fig. 3) Figura 3 . Internamente, a morfologia genital diagnóstica do grupo é evidenciada por um vestíbulo feminino marcadamente esclerosado e assimétrico (Namyatova & Cassis, 2016; Konstantinov et al., 2018; Gamboa et al., 2020).
Observações. A tribo Monaloniini engloba 214 espécies distribuídas em 33 gêneros, ocorrendo predominantemente em regiões tropicais e com baixa representatividade em zonas temperadas (Gamboa et al., 2020 — Tabela 1). O Neotrópico destaca-se por abrigar a distribuição exclusiva de Monalonion, o único gênero estritamente endêmico de uma só região biogeográfica. Esse endemismo acentua a relevância de investigações mais aprofundadas acerca da taxonomia, filogenia e biogeografia do grupo, visto que a Região Neotropical abriga uma expressiva diversidade de táxons da família Miridae. Sob a perspectiva aplicada, diversos táxons de Monaloniini possuem relevância econômica global devido aos impactos causados à cultura de Theobroma cacao.

Gênero Monalonion Herrich-Schaeffer, 1850

Diagnose. Segmento antenal I muito curto (1,5–3x o comprimento pela largura), corpo alongado, segmentos antenais II–IV filiformes, cérvix claramente inchado, escutelo desprovido de espinhos, coxas anteriores contíguas, tíbia anterior quase reta, gonóporo secundário circundado por um esclerito pequeno, ducto seminal ligeiramente esclerotizado na base e placa labial dorsal com círculo esclerotizado (Gamboa et al., 2020). Genitália do macho com parâmero esquerdo dilatado em sua região mediana, além de curvo e afilado na região subapical, e parâmero direito muito pequeno, afilado no ápice (Carvalho, 1972a).
Observações. Na região Neotrópica, Monalonion Herrich-Schaeffer, 1850 é o único gênero conhecido para a tribo Monaloniini (Distant, 1883; Carvalho, 1972a), com 16 espécies e distribuição na América Latina (Gamboa et al., 2020). A classificação e descrição das espécies do gênero Monalonion tem o maior suporte com o artigo de Carvalho no ano de 1972. Gamboa et al. (2020) revisaram 55 fontes bibliográficas sobre o gênero Monalonion, identificando 16 espécies distribuídas por 13 países neotropicais e associadas a 34 espécies de plantas hospedeiras. O estudo catalogou a localização do material tipo, as sinonímias e as estruturas morfológicas diagnósticas. Ao final, os autores destacam a necessidade urgente de atualizar a delimitação dos táxons, desenvolver ferramentas práticas de identificação e estudar as relações filogenéticas entre as espécies.

Chave para as espécies de Monalonion no Brasil

1. Fêmures posteriores pretos ou escuros, com um anel ou cinta de coloração branca, pálido-amarelada ou lutescente, na porção mediana e mais fina do fêmur, ou na região sub-basal (Compartimento A).
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Fêmures posteriores unicolores ou, às vezes, mais escuros no ápice ou na base, sem anel ou cinta brancos bem definidos na região mediana (Compartimento B).
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COMPARTIMENTO A: FÊMURES POSTERIORES COM ANEL OU CINTA CLARA
2. Presença de faixas ou manchas negras no vértice ao lado dos olhos; hemiélitro negro, com o embólio, área comissural do clavo e extrema base do cório pálidos; mancha apical da membrana escura, ocupando área até o ápice do embólio. Comprimento do corpo < 9,5. Ordem crescente dos segmentos antenais I < IV < II < III Fig. 1 Fig. 1 . Nicho ecológico: Terras Baixadas Equatoriais (Super úmidas e Quentes) e Planaltos Centrais e Interiores Sazonais (Domínio do Cerrado). Encontrada em Goiás, Pirenópolis (GO) e Manaus (AM).
Ausência de manchas negras no vértice ao lado dos olhos; hemiélitro podendo ser predominantemente negro sem as manchas pálidas acima; membrana não distintamente mais escura ocupando até quase a metade da área apical.
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3. Segmento I da antena com a extrema base pálida; segmento II em ambos os sexos com pelos longos, eretos, de comprimento distintamente maior que a grossura do segmento Fig. 2 Fig. 2 . Pernas predominantemente alaranjadas claras com as posteriores escuras exibindo uma mancha amarelada distinta no fêmur Fig. 3 Fig. 2 ; antenas pretas. Comprimento do corpo ~8 mm a 12 mm. Ordem crescente dos segmentos antenais I < IV < III < II Fig. 4 Fig. 3 . Nicho ecológico: Terras Baixadas Equatoriais (Super úmidas e Quentes) e Planaltos de Interiores Sazonais (Domínio do Cerrado). Encontrada em Amazonas, Itaituba (PA), Paracatu (MG), Rondônia.
Segmento I da antena negro ou com anel claro no meio; segmento II na fêmea com pelos curtos, de comprimento igual ou menor que a grossura do segmento.
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4. Segmento I da antena com anel ou região mediana clara; porção lateral dos segmentos III–VII do abdome com mancha branco-leitosa característica. Comprimento médio do corpo de 8,4 mm em machos e 8,8 mm em fêmeas. Ordem crescente dos segmentos antenais I < II < IV < III Fig. 5 Fig. 4 . Nicho ecológico: Terras Baixadas Equatoriais (Super úmidas e Quentes) e Planícies e Tabuleiros Tropicais Úmidos (Mata Atlântica Basal) e Floresta Amazônica. Encontrada em Itabuna (BA), Rio de Janeiro e Pará.
Segmento I da antena totalmente negro; segmentos III–VII do abdome avermelhados, sem a mancha branco-leitosa. Espécies grandes, comprimento médio do corpo 10,2 mm em machos; 10,8 mm em fêmeas. Ordem crescente dos segmentos antenais I < II < IV < III Fig. 6 Fig. 5 . Nicho ecológico: Terras Baixadas Equatoriais (Super úmidas e Quentes) (Amazônia), Planícies e Tabuleiros Tropicais Úmidos (Mata Atlântica Basal) e Planaltos Centrais e Interiores Sazonais (Domínio do Cerrado). Encontrada em Itamaraju (BA), Campinas (SP), Bahia e Amazonas.
COMPARTIMENTO B: FÊMURES POSTERIORES UNICOLORES (SEM ANEL MEDIANO)
5. Hemiélitro predominantemente cor de enxofre ou lutescente com faixa negra transversal característica na porção apical do cório e embólio, alcançando a região apical do clavo. Espécies grandes, comprimento médio do corpo de 11,5 mm em machos e 12,2 mm em fêmeas. Ordem crescente dos segmentos antenais I < IV < III < II Fig. 7 Fig. 6 . Nicho ecológico: Terras Baixadas Equatoriais (Super úmidas e Quentes). Restrito ao interior da Floresta Amazônica sob clima Equatorial Úmido e estável. Encontrada em Fonte Boa (AM).
Hemiélitro predominantemente escuro ou negro, sem faixa negra transversal na porção apical do cório e embólio.
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6. Hemiélitro com áreas lúteas na porção basal do clavo, cório e embólio, exceto região apical escura; manchas negras no vértice ao lado dos olhos; cúneo castanho-escuro a avermelhado; membrana fusca, área intrareolar mais escura, nervuras negras; ápice do fêmur III e tíbias III castanhos a negros (fêmeas com fêmures lúteos e tíbia III apenas na base). Comprimento do macho reduzido: 7,0–7,6 mm. Comprimento médio do corpo de 8,6 mm em machos e 9,1 mm em fêmeas. Ordem crescente dos segmentos antenais I < IV < III < II Fig. 8 Fig. 7 . Nicho ecológico: Terras Baixadas Equatoriais (Super úmidas e Quentes). Restrito ao bioma da Floresta Amazônica. Encontrados em Benavides (PA), Rio Cassiporé (AP).
Outro conjunto de caracteres morfológicos. Comprimento do macho geralmente acima de 7,6 mm.
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7. Hemiélitro castanho-escuro (exceto embólio, base do clavo e do cório, que são claros); às vezes, pronoto com duas faixas longitudinais escuras; fêmures avermelhados com a parte distal espessada; tíbia posterior escura em mais da metade distal. Comprimento do corpo no macho ~6,5 a 7,5 mm e de 8,9 mm médio em fêmeas. Ordem crescente dos segmentos antenais I < IV < III < II Fig. 9 Fig. 8 . Nicho ecológico: Terras Baixadas Equatoriais (Super úmidas e Quentes), Planícies e Tabuleiros Tropicais Úmidos (Mata Atlântica Basal) e Planaltos Centrais e Interiores Sazonais (Domínio do Cerrado). Encontrada em Minas Gerais, Bahia, Manaus e estado do Amazonas.
Hemiélitro de coloração uniforme ou com áreas mais pálidas restritas ao embólio e na base e no ápice do cório.
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8. Hemiélitro em ambos os sexos de coloração uniforme, castanho ou avermelhado; membrana característica, com manchas vermelhas dentro da aréola acompanhando a margem interna do cúneo. Abdome visivelmente encurtado e reduzido. Comprimento do corpo ~6 mm a 7 mm. Ordem crescente dos segmentos antenais I < IV < II < III Fig. 10 Fig. 9 . Nicho ecológico: Típico do Planalto Meridional e ecótonos frios, sob clima subtropical com geadas frequentes. Encontrada em Ponta Grossa (PR) e Nova Teutônia (SC).
Segmento I da antena geralmente mais claro na base ou no ápice, especialmente nos machos ou, quando de cor uniforme, as fêmeas com manchas pálido-amareladas distintas na base e no ápice do cório e embólio; membrana geralmente com tintura vermelha restrita a calosidades, sem acompanhar a margem interna do cúneo.
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9. Segmento I da antena, no macho, com coloração mais clara na metade basal (rósea, ocrácea ou lutescente); segmento II branco-leitoso; hemiélitro com membrana geralmente unicolor. Comprimento do corpo em média 7,8 mm em machos e 8,2 mm em fêmeas. Ordem crescente dos segmentos antenais I < IV < III < II Fig. 11 Fig. 10 . Nicho ecológico: Planícies e Tabuleiros Tropicais Úmidos (Mata Atlântica Basal), Planícies Litorâneas e Encostas e Mar de Morros Tropicais (Submontanos) com incursões nas Terras Baixadas Equatoriais (Super úmidas e Quentes). Encontrada em Camacan, Ubatã, Mascote, Itamaraju, Floresta Azul, Itabuna, Ipiaú, Una, Guaratinga, Almadina, Ibicaraí, Itapé, Itamari, Uruçuca, Ibirataia, Itapebi (BA) e Coari (AM).
Segmento I da antena, no macho, mais claro na porção apical ou unicolor escura, nunca mais claro na porção basal Fig. 12 Fig. 11 ; membrana geralmente com calosidades avermelhadas Fig. 13 Fig. 12 . Pronoto e cabeça totalmente alaranjados ou vermelhos Fig. 14 Fig. 13 ; hemiélitros pretos opacos, pernas delgadas pretas. Comprimento do corpo 4,35 mm a 4,75 mm. Ordem crescente dos segmentos antenais I < IV < III < II. Nicho ecológico: Encostas e Mar de Morros Tropicais/Submontanos e Altitudes Altas e Altas Latitudes/Mesotérmicos de Clima Frio. Encontrada em Petrópolis: Alto da Serra dos Órgãos, Rio de Janeiro: Tijuca – Corcovado (RJ), Nova Teutônia (SC), Bahia.

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